A ENERGIA NUCLEAR É A SOLUÇÃO INTELIGENTE

Presidente do Conselho Mundial dos Trabalhadores Nucleares diz que Angra 3 é a saída

O francês Andre Maïsseu tem autoridade de sobra para tratar de um tema tão delicado e polêmico quanto a energia nuclear. Maïsseu preside o Conselho Mundial dos Trabalhadores Nucleares (Wonuc), uma organização não-governamental sediada em Paris. A Wonuc congrega a maioria dos sindicatos trabalhistas de usinas nucleares ao redor do mundo e, portanto, cuida dos interesses das pessoas mais expostas aos riscos da radiação nuclear. “Somos nós que estamos lá dentro, no dia-a-dia, e posso dizer, sem qualquer receio, que a energia nuclear é a mais segura que existe”, diz Maïsseu. Ele também defende a construção de Angra 3 e aponta uma série de benefícios econâmicos. “É uma das formas mais baratas e confiáveis de energia.” Na França, país que apostou maciçamente na tecnologia nuclear, o balanço é totalmente favorável. Hoje, os franceses exportam eletricidade para boa parte da Europa. A seguir, os principais trechos da entrevista que Maïsseu concedeu a DINHEIRO.

DINHEIRO - O Brasil passa por uma grave crise de energia e as empresas e os consumidores receberam cotas para reduzir seu consumo. Nesse cenário, qual pode ser o papel de Angra 3?

ANDRE MAÏSSEU - Reduzir o consumo de energia em um país como o Brasil é uma catástrofe social, econâmica e financeira. Social porque o bem-estar da população é diretamente atingido por uma medida como essa. Econâmica porque a redução do consumo de energia afeta a demanda e a produção, reduzindo o crescimento do PIB, o que é tão mais grave quanto mais longo for o racionamento. Trata-se também de uma catástrofe financeira, porque todas as transações econâmicas são reduzidas, o que se traduz numa arrecadação menor de impostos para o Estado. A lógica é simples: menos consumo, menos produção e menos receitas fiscais. Nesse contexto de penúria imediata, Angra 3 não é uma resposta imediata para solucionar a crise, mas é talvez a mais importante quando se pensa no longo prazo.

DINHEIRO - A solução que vem sendo desenhada passa por um programa emergencial de termelétricas, movidas a gás natural...

ANDRE MAÏSSEU - É natural que o Brasil busque soluções em regime de urgência e as usinas térmicas, de fato, podem ser construídas em um prazo mais curto. Mas a grande ameaça é acreditar que, uma vez passada a crise, as soluções de curto prazo possam perdurar no futuro. Se o Brasil pensar assim, terá de buscar soluções perpetuamente temporárias. O perigo existe porque os dirigentes que estão buscando resolver o problema são os mesmos que, por imprevidência, deixaram que a situação chegasse a esse ponto. Há uma tentação para que essas pessoas digam: ‘A crise não era grave, foi só um pequeno alerta e nós respondemos prontamente. Agora que tudo vai bem, nossa escolha foi correta’. Essa atitude seria suicida.